Pois é: poesia; ou concisão – com cisão

O poema
encerra um paradoxo: o da (dis)tensão entre a inexorável concisão que lhe é
intrínseca e a necessária verbosidade com que se nos obrigam as referências extrínsecas
que lhe fazemos. Quer dizer: concisão interna versus prolixidade externa. Prolixamente,
a coisa não é bem assim. Afinal, o próprio poema prescinde das trocentas
barulhentas palavrosidades com que se o tratamos. Prolixo, não?

Pois é:
poema, o título que recolhemos a algum(a) poeta(isa) ou poeta(a), esta última
referência em referência a tantas poetisas que se querem (se dizem) poetas,
menos por questão de gênero, mais atual, do que por questão de posicionamento
verbi-voco (e quiçá visual), thanks to Décio Pignatari, dictum signatari.

Mas o gosto
do poeta é tão somente o de gostar. Gostar de dizer; gostar de di-ser: fundir
sujeito e objeto, outrizando-se em si mesmo e mesmizando-se no outro. Achar
novas formas de dizer coisas antigas e velhas formas de dizer coisas novas,
dizer o óbvio de modo inóbvio e o inóbvio de modo óbvio, obviamente.

Obviamente?
Será? Seria? Sei lá, entende? Entende o quê? Nem mesmo eu mesmo entendo. Já
disse o Leminski: entendo, mas não entendo o que estou entendendo.

Finalizando o
que estou analisando, o mais importante é que com o verbo/verso vergo o sentido
e sinto o ver. Pois: só sentir faz sentido/ sentido faz sentir/só.

Tenho
sentido.

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