perguntar (não) ofende?

Perguntas… e perguntas… e…

Quando eu era adolescente, e isso já lá vão algumas décadas, havia um programa humorístico televisivo em que o personagem afirmava: perguntar não ofende. E fazia uma pergunta cuja resposta não seria de fácil digestão. Muita vez essa visão de pura e simples inquirição e não inquisição tem servido ao propósito de buscar esclarecer uns tantos pontos e uns santos contos. Assim, mesmo correndo o risco de parecermos cínicos, o que efetivamente não é nossa intenção, quer dizer, nem parecer nem ser cínico, formulamos algumas perguntas cujas respostas ainda por vir demandam certa paciência e passividade cognitiva, a ser removida em futuro não muito remoto, esperamos.

Conheci, certa vez, um rapaz que fazia algumas afirmações algo provocativas. Três delas, que eu me lembro, tinham a ver com o que hoje se enquadra na questão de gênero. A primeira: meu lado feminino é lésbico. A segunda: aquele cara gosta tanto de mulher, que até queria ser uma. A terceira: fulana é tão feminina, que se fosse homem seria gay.

Fico me perguntando, cum grano salis, se tais afirmações hoje não o enquadrariam na acusação de homofobia ou ou coisa que orvalha ou valha que o coisa.

De minha parte, fico me perguntando se a Lei Maria da Penha se aplica ao caso de briga entre duas companheiras; se algum dia alguma delas vier a matar a companheira, será enquadrada no crime de feminicídio. E se um cotista xingar outro, poderá ser processado por racismo?

Parece que se alguém chamar uma mulher cuja massa corporal esteja bem acima da média de gorda pode ser processado; que o jeito é chamar de “plus size”, que diz mas esconde. Esconde onde? Nem no trem nem no bonde. Sinceramente, eu tenho um porte físico que me autoriza reivindicar o direito de ser chamado de “plus size”. Mas eu me sentiria diminuído; não quero ser chamado de “plus size”. O mesmo acha minha irmã. Que o marido diz ter ela excesso de gostosura (difícil não pensar sexo e gordura).

Eu não estranharia encontrar alguém que dissesse que o tal feminicídio é, na verdade, um esposicídio, namoradicídio, companheiricídio, no caso, mulhericídio. E nessa de cídio isto, cídio aquilo, haveria o crime de matricídio, patricídio, filhicídio, maridocídio, preticídio, judeucídio, ladrão cídio, politicocídio, etecétera e tal ecídio. E o a enquadrar bandidicídio teria duas modalidades: legal – o bandido ser matado pela polícia; ilegal: o bandido ser matado por outro bandido (bandido quem?). (E o policial matando outro policial que queria matá-lo mas ele matou antes…? Quá… quá… quá… quase piada…!) Sem (des)graça.

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