Quem me acompanha sabe do meu passatempo de criar palíndromos, aquelas palavras/frases/períodos que podem ser lidos de frente pra trás e de trás pra frente. O significado vem a reboque da construção verbal, que possibilita várias leituras, conforme a configuração e/ou reconfiguração. Existe a suposição de que existe o palíndromo perfeito, que articule a grafia, a sintaxe e o significado de modo irretocável, isso tudo aliado à extensão, quer dizer, ao tamanho do palíndromo, ou seja, quanto maior, melhor. Há, porém, que esperá-lo ou, quem sabe, desesperá-lo. O palíndromo confirma a tese de que o significado está em nós mesmos, somos nós mesmos e somos nós que os projetamos nas palavras.
Assim, brincadeiras à parte e inclusas, aqui estão alguns palíndromos à espera de interferências que os tornem irretocáveis. Ei-los:
A CITAR COLA FALOCRÁTICA

SÓ MARINA BOA EU APOIO JAIR ATRELA ALERTA A IRA CATÓLICA VOO RICO SEM O GOMES O CIRO O VACILO TACARIA ATRELA ALERTARIA JOIO PAU E AO BANIR AMOS
As possíveis leituras ficam a cargo do leitor. Observe-se, por exemplo, que SÓ BOLSONARO PORÁ NOS LOBOS poderia ter o PORÁ substituído por Cora, Dora, Fora, Gora, Mora, Nora, Tora. Além disso, lobos também significam as grades de metal que se colocam nas bocas de esgoto. E, por ressilabação, poderia ser SÓ BOLSO NARO PORÁ NOS LOBOS, POR ANOS LOBOS, etc. E o mesmo tipo de interferências pode ser aplicados a todos os palíndromos. Quem quiser, que se divirta.
