O que me traz hoje aqui é o interesse meramente linguístico da designação que atribuíram à famosa operação que precipitou a atual configuração política do País. Não vou discutir a importância dos aspectos morfossintáticos aí implícitos, já que o pragmatismo das premências midiáticas amiúde precisa (?) passar ao largo de tais preocupações. Explicitamente: o desconhecimento de regras gramaticais não pode servir de freio ao andamento dos acontecimentos; não pode nem deve, obviamente.
Mas feliz ou infelizmente as coisas aconteceram do jeito que aconteceram. O julgamento da história terá o seu dizer. Dito isso, vamos ao que nos interessa: como designar e, por conseguinte, grafar a tal operação de gênese curitibana?
Ao que consta, a tal designação decorreu do fato de que a investigação em pauta se referia a um posto de gasolina que oferecia serviços de lavagem de carro “a jato”. A grafia original do tal serviço deveria ser, e não sabemos se o foi, “lava a jato”, desde que a locução adverbial “a jato” se refere ao modo de lavar. Observe-se ainda que “a jato” deixa implícito se se trata de jato de ar, de água, de areia, etc., e, ao que tudo indica, sempre se refere a jato de água. Note-se também que o substantivo, substituído pelo verbo, poderia ser lavagem, pintura, secagem, etc.
Finalizando esta quase-catarse, a grafia correta deve(ria) ser “lava a jato”, quer dizer: Operação Lava a Jato. Alea jacta est.
