Um conceito psicanalítico importante é o de ato falho, amiúde confundido com outro conceito também de Freud, qual seja, o de lapso de linguagem. Sucintamente, ambos, ato falho e lapso de linguagem, se referem ao mesmo princípio psíquico, em que o inconsciente consegue burlar a censura do consciente e, no primeiro caso, nos faz fazer algo que estávamos nos segurando para fazer; no segundo caso, de lapso de linguagem, deixamos escapar algo que resistíamos em dizer. Assim, ato e lapso seguem o mesmo princípio, geralmente em nosso prejuízo, e aqui também queremos o significado de “pré-juízo”, i.e., juízo antecipado e, pois, preconceito e pré-conceito.
Quando tomei conhecimento desses postulados do Pai da Psicanálise, de imediato me ocorreu que, se o princípio defendido por Freud se aplica a um ato e, também, a uma fala, deve também se aplicar ao contraponto da palavra, ou seja, a (e à…) imagem. Nada mais natural, portanto, supor que encontraríamos exemplos de imagens que ilustrariam nossa desconfiança. E, por “coincidência”, em busca por “imagens subliminares”, deparei-me com “bad logos”, ou seja, logomarcas ruins, com alusões conscientes ou não a conteúdos sexuais, reprimidos.
Assim, mesmo correndo o risco de apedrejamento por uns tantos santos defensores da moral e dos bons costumes, integrantes de parcela da população, reproduzimos a seguir a imagem que, por certo, fugiu à intenção original de seus autores. Mas fica a proposição, junto a ato falho e lapso de linguagem, do termo “imagem falha”, que também poderia ser chamado de “lapso de imagem”.

A imagem acima é a logomarca de um restaurante japonês. O círculo vermelho sobre o fundo branco remete à bandeira do Japão, e a casa representa a típica construção nipônica que recebe o nome de pagode e que alguns chamam de pagoda, para desidentificar a construção da conhecida manifestação musical brasileira. Feitas essas explicitações quiçá ociosas, não é necessário explicitar a leitura da imagem como representativa do (de) ato sexual, cuja expressão há muito tem sido usada como instrumento de repressão e poder.
