
Uma expressão extremamente (pleonasticamente) expressiva é pensar fora da caixinha. Quem criou essa frase estava, ele(a) mesmo(a) pensando fora da caixinha; mellhor, cachola. Mas fico também pensando se pensar, realmente, já não significa “fora” da caixola; se “dentro” é, mesmo, pensar; se não é repetir nossas repetições e confirmar e conformar o já confirmado e conformado. Não me conformo. Tendo como ofício cotidiário o trabalho com a palavra, entendo a necessidade de soerguer-se acima da linguagem puxando-se pelo próprio cabelo. Como diria o parnasiano ditador: ora direis ouvir estrelas…; ao que redarguimos (sofisticado): ouvir, ou ver, melhor ouver, ou seja, ouvê-las. E há os que… com ou sem “h” ou “agá”.
O interessante do raciocínio com as palavras é o raciocínio de que não se pode raciocinar sem elas. Será que não…? Mentira da mente! Verdade seja dita: as palavras ajudam a organizar os pensamentos, a nos apropriarmos deles. E tão somente isso. Mas, porém, contudo, todavia, etc. e além, o nosso condicionamento à palavra é tão tão tão, que se nos tornam tã tã tã ou tantã, melhor escrevendo. Confesso que não me sinto confortável ao escrever o sofisticado verbo redargüir sem o trema, desconforto que comprova o referido condicionamento.
Entretanto, pensar fora da caixinha é necessário, não obstante perigoso. E não há garantia nenhuma de que o fazemos ou façamos, e se e quando ecoando eco ando… e ando… e and… end… e…
