
Jamais me esqueço de uma professorinha de um jardim de infância que disse a um menino que inflação é um bichinho que dá no bolso e come o dinheiro da gente. Explicação singela e eficiente para a criança, e não deixo de ainda sentir certo carinho pela professorinha que eu nem conheci. Fico ainda pensando no infeliz psicopata que se alinha a tantos outros doentes que não conseguem superar suas fobias e, projetando-as em líderes, tentam matá-las matando-os. Ideologias e americanismos à parte, uns tantos Lincolns, Kennedys, Luther Kings, encabeçam a lista de mártires da democracia, e essa psicopatologia ganha foros de onipresente ameaça principalmente num momento em que a maniqueísta oposição esquerda/direita se dilui e os atuais movimentos migratórios parecem evidenciar que a fraternidade da condição humana extrapola os limites de jurisdições territoriais e políticas cuja gênese remonta aos primitivos esforços de organização das forças humanas com vistas ao bem coletivo.
Com Leminski, confesso: sou poeta; com a cantora, completo: não aprendi a amar. Não bastasse, meu entendimento de política e economia é pífio, e meu interesse tardio por esses fatores da vida de um país não me facilita nem acelera a respectiva e necessária assimilação. Poesia por poesia, estou mais para o último parágrafo de A Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa, em que o narrador se situa ante o derradeiro adeus, da derradeira curva do caminho extremo, como diria Olavo. Ainda com o inominado narrador de Rosa, sou homem de tristes palavras. E é tudo o que sei fazer. E o lirismo puro da palavra pura do poeta se contrapõe ao excessivo pragmatismo do ato do político de ação. Fico sem saber qual é o ponto limítrofe ideal na escala que se interpõe entre a virtualidade do pensamento puro e a realidade da ação concreta.
Não obstante todos esses obstantes, não se pode suicidar a cidadania, uma cidadania suicida, uma suicidadania. O infeliz que se deixa levar ao extremo de suas convicções extremadas merece (…?…!…) uma Extrema Unção. Extremados (não)sejamos.





Entre mim e o outro, amar é outrizar-me de mim mesmo e mesmizar-me no outro, de modo que, sem ser o outro, eu o seja.
Um cemitério longe demais