
Estavam aí, felizmente não estão mais, querendo fazer passar uma lei que não estaria nem aí com os ais, e com medo dos hahahas. Criminalizar o humor seria assustador, sério. Seria matar antes de nascer no texto o lúcido do lúdico, indissociáveis. Muito riso e pouco siso dizia o bordão sisudo, que queria o humor ficasse mudo. Confundia-se oral com (i)moral. Seria assustador, antes fosse assusta-dor, susta dor. Levaria a ter medo de ter medo, temer o…
Libelo contra a libélula em cujos olhos o poeta nipônico enxergava o distante e colossal monte Fuji: libélula cá/ traz nos olhos/ montanha de lá. Entendeu lucidamente o Tribunal que humor não é insulto, tampouco indulto a que se cometam outras atrocidades. Insulto ou elogio, a diferença está em quem faz e quem recebe, e no modo como se faz e como se recebe.
Lembro-me de um menino que conheci na infância e que, quando outro o xingou de fdp, ele respondeu, com incomum bom humor: poxa, amigo, você descobriu…! Só não espalhe, só não espalhe. O outro ficou desconcertado com o resultado que, esperava, fosse outro.
Anos depois eu mesmo faria uma dissertação sobre o humor verbal, sobre o chiste, a partir da abordagem psicanalítica de Freud, linguística de Possenti, e psicolinguística de Veras, em capítulos intitulados: Freud Explica, O Sírio levado a sério, De Veras a Verdade.
Pergunta, apropriadamente, a música: vc tem medo de quê? Deixa implícito que o medo se opõe à criatividade, e que, como diz Osho, todo medo é, em última instância, o medo da morte e que, se este fosse (e for) superado, eliminaria (e eliminará) todo e qualquer medo.
No paradigma do medo estão: vergonha, censura, desamor, violência, ilusão da segurança, temor ao futuro, negação do desejo. O medo é reacionário, quer dizer, contrário às promissoras mudanças. É anticriativo, propõe pensar com a cabeça dos outros. Finalizando, saudosa amiga minha fora conhecer a cálida brancura gélida das montanhas do Alasca. Em palpitante voo panorâmico, o franzino aviãozinho trepidava, tremia e tremulava ao sabor do inquietante vento. Tinha, então, de escolher: ou se deixava abater pelo medo paralisante, ou se entregava à inigualável beleza de instantes que possivelmente jamais se repetiriam em sua vida.
Não pensou com a cabeça dos outros, e jogou para depois o medo do instante. Entre ter medo e ser feliz, preferiu a segunda opção. Não se arrependeu. Felizmente, para sua feliz mente.
