parecer para ser – ou finja até que atinja
A língua inglesa tem um bordão que diz: fake it untill you make it. O significado é “faça de conta que a coisa é isso até que a “coisa” se torne isso”, ou finja que a coisa é real até que ela se torne real. Para preservar a concisão e a rima, propomos a tradução: finja até que atinja. Isso, mesmo a despeito da possível conotação sexual que se possa daí depreender, vindo em nosso auxílio um dito que amigo me enviou pela internet: eu posso controlar aquilo que eu escrevo, mas não aquilo que você entende com o que eu escrevo. Asserção que tem sua máxima aplicabilidade em se tratando de texto artístico, e menor em textos acadêmicos, já que estes devem primar pela minimização da possibilidade de subtextos e, pois, subleituras.
Mas interessa-nos aqui a ideia que tem admitido a Física, da possibilidade e/ou probabilidade da reversão da causalidade, em que há ou haveria no universo circunstâncias em que seria subvertida a sequencia temporal, e o presente poderia ter influência do futuro. Essa noção é mais fácil de assimilar por quem de condicionamento cultural do oriente, que privilegia mais o sujeito que o objeto, algo como se, ao contrário de nós ocidentais, dissesse ser necessário, não ver para crer, mas crer para ver.
Contudo, mesmo no domínio da ciência e tecnologia, já se começa a trabalhar com a constatação de que os paradigmas até então válidos podem ser quebrados. A física quântica admite que dois corpos podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo e um mesmo corpo estar em dois lugares ao mesmo tempo, concepções que, diria o inglês, são mind boggling. Efetivamente, a pretensa segurança do legitimado ceticismo com que se encaram certas possibilidades até então consideradas impossíveis ou inusitadas deve dar lugar a uma prudente expectativa de que o maravilhoso tem sua plausibilidade. A hipótese é de que nem tudo está previsto ou predeterminado. Tem-se imposto cada vez mais a necessidade de revogar parcialmente um dos sustentáculos da civilização, a de que esta nos garante a segurança de nossas convicções. Se é verdade como teria afirmado Einstein que tudo o que é possível acontecer, acontece no universo, não seria ocioso ao menos supor a possibilidade de o futuro influenciar o presente. Como disse Osho: seja realista: acredite em milagres. De onde a esperança de que, neste multiverso imponderável e empoderável, tudo-nada está (pre)determinado.
A necessidade de acreditar, outro modo de não perder a esperança derradeira que última falece, às vezes é tudo o que resta, antes do final rest in peace. Crer para ver, ver para ser, pare-ser, parecer.
