


A crença é
uma espécie de pré-certeza. É uma expectativa de verdade, uma espera (mais
de…) de confirmação ou (do que de…) refutação de uma suspeita. Confirmada
ou refutada, deixa de ser crença e se torna certeza. Nesse aspecto, a crença se
relaciona com o dogma, este nem sempre passível/possível de ser retirado dessa
categoria cognitiva. Como costumo dizer, não há problema nenhum em tomar o
dogma em sua própria dimensão; o problema só surge quando se esquece disso e se
toma o dogma como verdade. E isso, infelizmente, ocorre, e muito.
O dogma,
como formulação do pensamento, é passível de permear toda e qualquer área do
conhecimento, humano. Vírgula em conhecimento,
humano, ante a concessão de que pode/possa haver algum (conhecimento) transcendente.
De novo a expressão da certeza/incerteza pela justaposição do indicativo, pode,
ao subjuntivo, possa. De onde também a legitimidade dos paradoxos, e este é metatextual:
não existe certeza nenhuma.
Mas voltando
à questão do dogma, este, ao exprimir crenças, recorre à linguagem alegórica,
simbólica, do consenso ou de um consenso. Acima da crença está a fé,
uma certeza inabalável, inquebrantável, pelo menos a princípio. Sendo de
natureza emocional e, por conseguinte, irracional, é despertada por aquela via,
i.e., via emocional, irracional.
Mas saindo
dessa sisudez textual, e recorrendo a minha proverbial pareidolia verbal, vejo
em dogma cão, dog, que, em inglês, invertido, resulta em god, i.e., deus, a nos
lembrarmos da designação de cão ao… peta. E essa oposição maniqueísta bem x
mal, luz x trevas, espírito x matéria não parece de fácil (dis)solução, razão
por que tem sido objeto do interesse ambigramistas, palindromistas, artistas e
uns tantos …istas, como se pode verificar pelos objetos verbi-visuais a
seguir.
