
As Anas que passaram pela minha vida nunca me passaram indiferentes. A maioria, felizmente, me passaram bem. Mas nem tudo é felizmente. Houve quem que…, que… que nem quero… Se o nome Ana significa, em hebraico, “cheia de Graça”, alguma houve que em adamaico significou “cheia de desgraça”. Se ana é também prefixo de negação, alguma houve que me negou o que, então, cri-me de direito, crime de direito. Ah, não, crime ninguém não, em negação da negação, talvez, então, alguém sim. Fosse for ou flor, nem toda seja que a cheira, dias de antanho não resisti ao nome, ouvindo marido chamar, ambiguamente, a esposa com o diminutivo Aninha. Graça ou desgraça, não resisti, e se me (re)compus (n)este singelo (sin hielo) pequeno poemeu:
quando a ana se aninha
no anil dos meus olhos
eu fico feito passarinha
pipilando por seus pimpolhos.
Anos depois, pintou-se-me este palíndromo:
ANA BRUACA CACA URBANA
Em que caca poderia dar lugar a faca, jaca, laca, maca, paca, saca, vaca, à escolha de quem o valha. Eu fiquei com a primeira letra da ordem alfabética, e as demais assinaladas introduziriam algum significado, quiçá, mais obscuro. Sei lá, entende…? E aqui transpomos ao palíndromo o que Quintana disse sobre o poema: Pra qual delas o poeta faz o poema? Pra nenhuma e pra todas, responde. Seja como flor, entre o amor e o ódio, fico com o sódio, eu anacoreta. Acho, mesmo, que meu lado eremita entende que a própria linguagem, mais do que comunicar e comungar, cumpre a função de disfarçar a solidão, e lembro que defunto significa “quem cumpriu sua função”, que, no caso, função-mor, amorviver.
Tenho vivido vívido.
