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Com a eleição do capitão Jair
Bolsonaro a cidadania talvez assuma foros de soldadania. O neologismo que aqui
propomos não deixa de ter lá algo de tendencioso, desde que a fusão de
cidadania com soldado guarda lá uma tensão de significados, se entendermos que
cidadania é expressão da democracia e a função do militar é, em última
instância, pela preservação da soberania nacional, assegurar a relação de poder
entre o Poder e a Cidadania.
Por oportuno, Houaiss registra, no
verbete cidadania: condição de pessoa
que, como membro de um Estado, se acha no gozo de direitos que lhe permitem
participar da vida política.
Como se vê, o
dicionarista atrela a esse termo, implicitamente, a noção de democracia, que,
ainda segundo ele, significa: 1 governo em que o
povo exerce a soberania; 2 sistema
político em que os cidadãos elegem os seus dirigentes por meio de eleições
periódicas;
E o
problema está, como se pode depreender, na terceira acepção de cidadania, assim
consignada por Houaiss: 3 regime em que há liberdade de associação e de
expressão e no qual não existem distinções ou privilégios de classe
hereditários ou arbitrários. Esta acepção contrasta com a expressão alhures
cunhada que, ironizando, menciona “cidadão de segunda classe”, a ideia de que
“uns são mais iguais que outros”, o descompasso que existe entre lei e justiça,
e assim por diante.
Mensagens e rotulagens, ideologias, fraseologias e outras logias, Bakhtin já demonstrou que a palavra é ideológica. Assim, designar alguém de herói ou vilão não é muito mais que uma questão de enfoque ideológico, a nos lembrarmos de que, à guisa de exemplo, etimologicamente, cidadão significava o morador da cidade, e vilão, o morador da vila, havendo, ainda, quem relacione o substantivo vilão ao adjetivo velhaco.
Finalizemos
com Pessoa, reverbado e reverberado por Veloso: minha pátria é minha língua.
Esteja dito.
